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Juízo Final

Tonho França

Além das lendas, antes dos mitos

Depois das crenças, maior dos ritos

Que arranha a garganta, sem nenhum gemido

Que se perde, se espana, se esconde se engana,

Que beira o aflito, sem nenhum grito.

Que desenterra os fantasmas, os traumas, os medos,

Que se esconde às claras, a luz do dia, ao meio dia

Todo santo dia, de manhã bem cedo.

Que não teme os porões, se espalha em porções,

Em fatias, mas está sempre inteiro.

Que muda o enredo, a rota, a rotina, o roteiro,

Nas estações, nas fases das luas, nas marés cheias,

Que nos mostra o avesso, que destorce as imagens,

Provoca miragens, calafrios, que muda o tempo,

Desnuda o vento, e em silêncio te dá arrepio.

Que não permite o soar dos sinos, que dá a ultima sentença

Que borrou o arco-íris de todas as consciências.

Que quebrou todos os vasos, sufocou as roseiras,

Espalhou o inverno, levantou a poeira.

Que te deixou tonta, com o olhar mais atrevido,

E sua alma marcada, na face estampada, o fim do sorriso.




Tonho França é poeta de Guaratinguetá, interior do estado de SP, membro da UBE e da Academia Vale Paraibana de Letras, e vencedor de diversos concursos de poesia. Desenvolve trabalho sobre a desigualdade social em sua cidade e região, que consiste na união da poesia, da fotografia e do depoimento voluntario do excluido (moradores de rua, prostitutas, idosos em asilos há mais de 6 meses, etc...). No seu ponto de vista a arte tem que alertar para a situação de extrema penuria dos seres humanos, que também é poesia. Triste com certeza, mas necessário.

Contatos: jtonho@terra.com.br